Receitas

Descobrindo o chocolate
Três mil anos de consumo

Segundo os maias do México e da América Central, os deuses foram os primeiros a consumir o cacau, um estímulo para que os homens seguissem esse exemplo. Depois de 3 mil anos, nada mudou, pois ao degustarmos um bombom ou uma barra de chocolate ainda nos sentiu como os deuses.


Elixir dos deuses e dos heróis
O cacau da árvore da vida

A origem do chocolate faz parte dos enigmas da história. As florestas quentes e úmidas do México, onde os primeiros cacaueiros foram cultivados pelos olmecas (1200 a.C.) à sombra das altas árvores engoliram todos os vestígios arqueológicos do consumo do cacau. O que restou foi à tradição oral reunida e veiculada pela civilização maia, herdeira das plantações olmecas da costa do Golfo do México. No entanto, temos uma certeza: as bebidas achocolatadas já existiam pelo menos desde o século VI a.C., fato comprovado pela descoberta em Belize de um pote com vestígios de chocolate.

Segundo a lenda do Popol Vuh, o livro sagrado dos maias, a primeira bebida à base de cacau tem origem divina, pois teria sido elaborada por um casal de ancestrais Míticos para o casamento sobrenatural do neto, o herói Hun Hunahpu, com uma virgem do Xibalba. Os senhores do Xibalba, o inferno maia, decapitaram o infeliz Hun Hunahpu e penduraram sua cabeça numa árvore morta.

Depois disso, miraculosamente, a árvore deu frutos: de acordo com o texto do Popol Vuh eram cabaças, mas, segundo outras fontes, frutos do cacaueiro. A virgem teria então falado com o herói morto na árvore, que lhe cuspiu na mão, fecundando-a magicamente. A partir disso, a bebida à base de cacau, servida
Quase sempre em cabaças, passou a fazer parte das negociações preliminares ao casamento. Os noivos e os pais brindavam o enlace bebendo choleola'h.
O cacau do Xibalba, associado à concepção realizada pelo divino Hun Hunahpu, também estava presente nos nascimentos do mundo terreno: os pequenos
Maias eram purificados, numa cerimônia semelhante ao batismo católico, com um galho molhado na água virgem de uma fonte, onde eram jogados flores
E cacau. Como fruto nascido das profundezas do mundo subterrâneo e sinal de renascimento, o cacau acompanhava os mortos em sua viagem para o além: uma grande quantidade de vasos funerários gravados com o símbolo do cacau era colocada nas sepulturas dos antigos reis maias.


Chocolate dos reis e dos guerreiros

Por volta de 1300 d.e., os astecas, guerreiros nômades que vieram do Norte, se instalaram no alto vale do atual México, a 2 mil metros de altitude, de onde controlavam um imenso império que se estendia até a Guatemala. [Mesmo não cultivando o cacaueiro] uma vez que as árvores não se aclimatavam ao frio dos altos planaltos, os astecas foram consumidores fanáticos do chocolate, privilégio de algumas castas: só os nobres e guerreiros tinham o direito de se regalar com a luxuosa bebida, chamada por eles de tlaquetzalli (coisa preciosa). Por ser uma mercadoria rara, os homens carregavam o cacau nas costas por centenas de quilômetros, desde as longínquas plantações de Tabasco e de Soconuzco, onde continuava a ser tradicionalmente produzido pelos maias, até a capital de Tenochtitlán, futura cidade do México.

As sementes de cacau valiam tanto que eram usadas como moeda, da mesma forma que as pedras preciosas e as plumas verdes e brilhantes do quetzal, uma ave sagrada para astecas e maias, símbolo do deus Quetzalcóatle e até hoje ave símbolo da Guatemala. Quetzalcóatle, na língua asteca "serpente com plumas",
Era o patrono dos pochtecas, ricos e nobres comerciantes que festejavam as expedições comerciais com banquetes regados a muito chocolate.

No início do século XVI, à mesa de Montezuma 11, último imperador dos astecas, a refeição terminava suntuosamente com uma cabaça de chocolate, uma bebida à base de sementes de cacau, aromatizada com baunilha, flores, sementes de urucum (ver p. 34), pimerita, às vezes mel ou, ainda, cogumelos alucinógenos, à moda de uma verdadeira poção. Apreciado sobretudo pela espuma, que se obtinha ao despejar o líquido do alto, o cbocolatl era degustado sempre seguido de um charuto cuidadosamente enrolado, em um ritual cercado de requintes.

Foi assim que Cortés, antigo companheiro de Cristóvão Colombo, teve sua primeira experiência com as "bolhas cremosas do chocolate", ao conquistar o México, em 1519.


 
ANNA CORINNA. © 2019.
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